Semelhanças no futuro do jornal e da música
Por Gabriel Jacob | 16.02.2009 | Comportamento, Gadget, Inovação, Internet, Mídia | 6 comentários
A idéia de escrever este post surgiu durante a leitura sobre o futuro do jornalismo e dos jornais, em uma matéria do “O Estado de São Paulo”, esta manhã.
Acontece que a cada dia cresce mais o número de pessoas pregando o preconceito e infiltrando informações negativas sobre a crise na indústria jornalística.
Nunca vamos poder afirmar, de forma alguma, que os jornais estão perdendo leitores. Pelo contrário, estão com cada vez mais pessoas interessadas pelo conteúdo. Isso porque as grandes holdings que controlam os jornais mais famosos, entenderam o novo caminho de seus consumidores, e definiram uma nova outra fase ao meio.
Agora, com todo mundo podendo acompanhar qualquer conteúdo que sai em um New York Times, por exemplo, na internet, de maneira totalmente gratuita, resta as empresas de mídia se adequarem ao novo tempo, o tempo todo.
Os portais dos jornais se tornaram uma réplica exata do que se vê/lê nos impressos.
Perdendo leitores para ambiente digitail, as empresas que controlam essas mídias se tornaram vitimas, assim como a novo momento enfrentado pela indústria fonográfica, onde as gravadoras passaram e continuam passando por provas de choque e sobrevivência depois desta grande “transformação” na maneira de consumir conteúdo.
A fim de preservar suas receitas, as gravadoras não inovam na forma de distribuir as músicas de seus artistas. Por outro lado, os artistas, cansados desse formato “arcaico” e desorientado por parte das gravadoras, deixam as parcerias com elas de lado, em busca de parceiros mais bem preparados, se é assim que podemos chamar. Entre estes novos parceiros, estão marcas, executivos e produtores particulares, ou até mesmo os próprios artistas, que decidem não esperar a “vaca tossir”, e acabam montando as suas próprias táticas.
Eles estão utilizando a internet para compartilhar suas músicas recém lançadas.
Se isso não for feito, o artista corre o risco de perder o seu valor de destaque, sendo que outros já estão criando e aplicando maneiras diferenciadas na distribuição dos seus próprios conteúdos.
É o caso da banda britânica de alt-rock, Radiohead, que lançou, em outubro de 2007, seu
sétimo álbum de estúdio, o “In Rainbows”, sob a forma de download digital, onde os compradores escolhiam o quanto queriam pagar pelas músicas. Assim, o grupo inglês se tornou percussor de uma revolução na indústria da música.
Daí vieram outros “cases” como os caras do The Prodigy, que colocaram, em 1a mão, trechos de seu novo álbum em um jogo disponível somente na web. E também a banda Groove Armada que, em 2008, decidiu não mais renovar o contrato com sua gravadora para fazer uma parceria inovadora com a Bacardi. A partir desta parceria, a banda passou a disponibilizar músicas (exclusivas) pelo Barcardi B-Live Share.
O fato de a internet ser uma das maiores agregadoras de audiência jovem, moderna e “antenada”, engaja o poder criativos destes artistas para que eles desenvolvam soluções equivalentes às novas expectativas de seus fãs.
Mudanças saudáveis até aqui. Porém, existe um fator importantíssimo que está sendo enfrentado por estes mercados que buscam, novamente, seu lugar ao sol – encontrar a melhor forma de receita.
Jornais já não querem mais depender apenas dos anunciantes. Querem continuar dando valor ao jornalista e, principalmente, aos seus leitores, como acontecia na época em que o jornal vivia de três grandes fontes de receita: assinatura, venda em banca e publicidade.
Bem como acontece com as produtoras e gravadoras musicais. Elas estão atrás de formas atrativas aos seus consumidores e aos seus cofres.
Por esse e outros motivos, Walter Isaacson, ex-editor da revista Time, sugeriu em um seminário (leia matéria do OESP), algo bem inteligente – cobrar dos leitores de portais dos jornais, microvalores por artigo ou por edição diária. Dessa forma, o leitor até pagaria pelo conteúdo, seja quanto for (US$0,10 / U$0,50), porém, precisaria criar uma forma de pagamento virtual facilitado.
As formas de pagamento virtuais são muito irritantes e desajeitas. ( #prontofalei )
Mesmo assim, tem gente que se diferencia e se destaca nessa complexidade toda. Como ótimos exemplos, o portal do periódico norte-americano, Wall Street Journal, começou a cobrar pela leitura ilimitada de suas matérias online. Mas concede desconto aos assinantes do veículo impresso.
E do lado fonográfico, o iTunes, da Apple, conseguiu angariar milhares de clientes mesmo cobrando pelas músicas (as mesmas disponíveis gratuitamente em softwares para baixar áudio) graças a um formato simples e rápido de pagamento.
E assim vai caminhando o futuro das duas indústrias. Produtoras de conteúdos sempre relevantes para o nosso cotidiano, música e informação não são mais apenas geradoras do entretenimento e do conhecimento, nessa ordem. São, também, promotoras de uma nova era cheia de desafios que confrontam com grandes esperanças.
Resta a nós torcer para que as melhores cabeças pensantes continuem nos trazendo soluções inteligentes para consumir o conteúdo, sem prejudicar as empresas, os artistas, os jornalistas e todos os outros envolvidos em sua produção.
6 Respostas Adicione seu Comentário
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Bruno Delfino 16.02.2009em 2:55 am
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Tiago Moralles 16.02.2009em 12:00 pm
Fala Jacob.
O futuro, não só das mídias convencionais, mas também de toda e qualquer geradora e agregadora de conteúdo, passa por modificações. Umas boas e outras ruins. O fato pendente em todo esse processo está no modo e na velocidade de adaptação de cada um.
Como você encerra dizendo, “Resta a nós torcer para que as melhores cabeças pensantes continuem nos trazendo soluções inteligentes para consumir o conteúdo…”, é exatamente nesse ponto que entra a adaptação. Grandes mentes trarão sempre, formas inusitadas e revolucionárias de absorção.
Então, resta a nós, a capacidade de entender o processo e, de uma forma ou de outra, adaptar-mo-nos.
A tendência é uma moda nada passageira.
Bom post, abraço cara.
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João Carlos Caribé 17.02.2009em 1:41 am
Excelente é a palavra que resume este post, é do tipo que gosto, levanta a poeira, joga os fatos, fomenta a reflexão e alimenta a discussão. Parabéns!
Deixa eu dar um “pitaco”, acho que a questão da sobrevivência das duas industrias citadas esta justamente em pensar fora da caixa, eu pessoalmente acho que a Industria fonográfica como conhecemos deve subir no telhado em breve. Não vai existir modelo de negócio que a salve. Ela ja sabe disto, por isto o ACTA e a perversão com que ela vem orientando os legisladores do mundo todo a criarem leis como as sugeridas na convenção de Budapeste e no PL de Azeredo. A coisa vai ficar mais ou menos assim, com a Industria fonografica ficarão apenas os dinossauros que ainda não sabem viver sem ela, o resto vai para os modelos alternativos. A industria fonografica era útil quando o custo de produção e promoção eram elevados, e não existia alternativa. Hoje com menos de duas mil pratas é possivel gravar um bom CD em um estudio que cabe em uma sala comercial. E a divulgação, bom não preciso explicar né?
Quando ao jornal, eu imagino um futuro mais ubiquo, uma convergência das midias, TV, radio, jornal e “blogosfera” tudo junto misturado, o jornal ou seja la que nome ele tera, sera uma interface comunicacional, algo bem diferente do conceito atual. E ganhara seu dinheiro a partir dos serviços agregados. O surgimento de um e-paper barato e funcional, que permita interação, vai consolidar o que imagino. Pense numa situação onde o cara lendo o jornal recebe anuncios contextualizados, e clica.. Ou comprando ingressos a partir do jornal, contratando shuttle service, flores, e etc.. O jornal vai mudar, os jornalistas vão se tornar produtores independentes de conteudo, estarão juntos mais por uma questão filosofica, se unirão por seus interesses e pontos de vista. Um mundo diferente vem por ai, temos de repensar o modelo atual: Trabalho para consumir, tudo tem de dar receita direta, temos de pensar num mundo novo, numa especie de capitalismo social, algo onde escambo e consumo de alto nivel convivem juntos, onde cooperativismo e competitividade cohabitam o mesmo espaço. Precisamos quebrar os paradigmas.
É por ai.










Uma vez eu li em uma matéria no New York Times onde o autor cria a teoria de que daqui um tempo a Apple irá lançar um iPod com uma tela bem grande onde será possível baixar o jornal da internet e ler.
Será que isso acontecerá no futuro? Se bobear, é possível que sim!
Abs